Pode-se estabelecer uma ligação entre a contração do número de empréstimos a prestações concedidos e a saúde financeira das bolsas nacionais e europeias? Um rápido ponto sobre uma questão candente de atualidade.
Uma constatação preocupante
A crise financeira que conhecemos na Europa começou em 2008 e foi diretamente exportada da crise dos subprimes nos Estados Unidos. Posteriormente, a conscientização da evolução abissal das dívidas soberanas na Europa contribuiu consideravelmente para manchar uma atividade financeira que flertava há meses com a recessão. Uma consequência não tardou a aparecer: a saúde financeira dos bancos deteriorou-se e a atividade de crédito também, com como corolário, uma política de concessão de empréstimos e créditos muito menos generosa.As causas da crise financeira
A crise severa e duradoura que assola e prejudica a saúde financeira da Europa tem essencialmente três origens:- A exportação da crise dos subprimes nos Estados Unidos. Em resumo, os bancos dos EUA concederam créditos hipotecários a famílias endividadas e especularam em contrapartida sobre a evolução ascendente do valor venal do imobiliário. Infelizmente, este esquema de uma ingenuidade desconcertante desmoronou-se como um castelo de cartas assim que o mercado imobiliário se inverteu, produzindo assim o efeito inverso procurado;
- A especulação financeira dos bancos europeus comprando dívida soberana dos países do Sul da Europa gravemente endividados. Os bancos contribuíram para sobrecarregar os Estados do sul ao conceder-lhes empréstimos importantes. Reverso da medalha, alguns países como a Grécia, a Irlanda, Portugal fizeram incumprimentos parciais e a Europa teve de consentir descontos de créditos com como corolário, falências de bancos;
- A má governança endémica dos Estados tanto Europeus como transatlânticos e até asiáticos – o Japão à frente. Os Estados gastam muito mais do que arrecadam em receitas fiscais. O modelo do Estado de bem-estar social bem instalado na Europa vacila nas suas bases e é necessário reduzir as vantagens sociais.